Alô? Ele fala ao telefone com voz de sono.
Suspiros.
— Sei que está tarde para te ligar, mas gostaria de falar umas coisas que estão presas aqui, e a única forma de amenizar um pouco essa dor, é te falando. São exatamente cinco horas da manhã, e eu ainda não consegui dormir, então decidi te ligar. Nunca vi um sorriso me fazer sorrir, assim como o seu me faz. Nunca entendi porque apenas um simples sorriso é tão importante para mim. Ou talvez era. Bateu uma saudade do nada de você agora… Aliás, do nada não. Eu sinto tua falta, e isso dói, dói muito e parece que você não vê, parece que você não se importa. Ou talvez não se importe mesmo. E sabe o pior disso tudo? É que não sinto raiva de você por tudo que fez. Você não é mais o mesmo. Você não se importa mais. A um tempo, quando você me dizia “eu te amo”, eu sentia ironia no tom da tua voz. Eu chorava todas as vezes que você não atendia aos meus telefonemas. Eu andei muito perdida nesse tempo que se passou. Acabei esquecendo certos valores, como também deixei de lado certas pessoas. Eu choro todas as noites por sentir tua falta, por você não estar presente. Você não sabia disso, mas agora estou deixando as coisas bem claras para você. Eu acho que você nunca entendeu direito, ou melhor, eu nunca te expliquei direito. Eu nunca vou conseguir explicar nem a metade do que eu sinto por ti. Eu não sei falar isso pra você. Mas, é mais do que amor… Acho que você não tem o conhecimento da profundidade disso. Não sei se fiz certo em te ligar agora, nem sei se você continua aí… Neste momento só sei que minha cabeça está explodindo, meu rosto está inchado e meu coração está doendo mais do que nunca. Mas você não se importa, não é? Não sei se sente a minha falta como eu sinto a sua. Agora estou morrendo de raiva de mim. Sei que se eu não fizesse isso, você nunca faria, também, orgulhoso do jeito que você é. Sinto falta de quando você chegava aqui às três horas da manhã, numa noite chuvosa e jogava pedrinhas na minha janela para eu acordar. De quando você fazia carinho na minha cabeça, até eu pegar no sono. Das tuas brincadeiras, das tuas palhaçadas, das noites perdidas, dos sábados tomando sorvete… Resumindo, eu sinto falta de você. Ah… Tem uma camisa sua aqui, não sei se você se lembra de quando me molhou por inteira, e tive que dormir na sua casa com sua camisa, que aliás, me servia de pijama. Ela está aqui… Ainda não lavei, pois seu cheiro está nela e… Falei demais, você não deve estar mais me escutando. O que me mata não é a mentira, nem a verdade. Não é a dor, a perda ou a raiva. O que realmente me mata, é a incerteza. Não sei se você ainda me ama. Ah… Imagina que louco você aqui agora, como antes? Seria uma loucura mesmo, você nunca apareceria aqui à essas horas, afinal, hoje é quinta, amanhã você tem aula e sei que não perderia um dia, ainda mais porque está chovendo e… Beijos, eu ainda te amo, independente de você me amar ou não.
Ela desliga o telefone, e, logo depois seu telefone toca.
— Alô? Ela fala chorando.
— Ei… Sei que fui egoísta com as minhas ações. Sei que sou chato, errado, bruto ou sei lá mais o que, mas eu não aguentaria ver você desistindo de mim, por tão difícil de lidar que eu sou. Pode não parecer muito, mas preciso de você aqui, bem do meu lado. Confesso que quando escutei sua voz no telefone, meu coração acelerou, nunca imaginei que você faria isso,orgulhosa do jeito que você é. Eu te amo e me importo, sei que tem milhares de pessoas mais legais que eu por aí, mas eu só quero que saiba que meu coração tem espaço de sobra, e o espaço é só seu. Quando não atendia os seus telefonemas, era porque não sabia o que falar para você, pois sabia que estava errado. Então, decidi esperar o momento adequado para fazer isso. Eu também sinto a sua falta. Falta dos teus ciúmes, que eram bobos mas você ficava linda brava. Nunca pense que eu te trocaria, você é única. E minha camisa… Você fica linda nela. Sei que você a está usando, ela agora é sua. No momento, só quero o que está dentro da camisa.
— Como sabe que estou a usando? Ela sorri.
— Abre a porta, amor. Está frio aqui fora sem você.

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